Último adeus a Anésio Argenton!

O ciclista Anésio Argenton
Cláudio Lara Ruiz Repórter Fotográfico/ MTB 20.998-86-88-SP Rádioamador/ PU2PPK
ANÉSIO ARGENTON
“GRANDES AQUI, MAIORES LÁ FORA”!
Deixo aqui meu último adeus, ao grande ciclista Anésio Argenton. Tendo conquistado muitos louros na carreira ciclística, faleceu como “O Ouro Brasileiro” em Pan-Americanos. Muitos seguiram seu estilo de vida; estilo esse de campeão olímpico! Certamente estará pedalando em pistas espirituais, re-encontrará seus iguais em grandeza, como o também muito honrado “Adolpho Féchio”. Pesquisando em meu site: www.claudiolivrepedalar.com.br, descobri esse material. Trata-se de um texto da “Gazeta Esportiva”. Saboreie essa narrativa; história que não poderia estar perdida, portanto publicamos novamente aqui, no jornal “O Imparcial” e também aqui na “Livre Pedalar”, leia.
Grandes aqui, maiores lá fora Gazeta Esportiva Ilustrada, Outubro de 1955
“A façanha dos nossos ciclistas: demos o que fazer em Caracas aos cronistas ‘nacionalistas’ para justificar nossos triunfos sobre Los Criollos, sempre os nossos presentes em toda parte e a puxar o cordão como líderes ou vices.” A bem dizer o Brasil teve o primeiro grande sucesso em competições de maior envergadura no ano passado, quando aqui mais se realizou o VI Campeonato Sul Americano de ciclismo foi nessa ocasião que Anésio Argenton conquistou aquele título de campeão continental, mantido, melhorado e laureado com um recorde em Caracas e Cláudio Rosa fora o líder da resistência.” Há por ai uns tantos despeitados – a reportagem tem tido ensejo de se defrontar com alguns que não viram com bons olhos nossa atuação. Para eles não significa nada a estrondosa vitória acrescida de recorde de Argentão, frente ao campeão mundial venezuelano nem o palpitante trunfo de Antônio Alba, nos labores de uma vida e de uma carreira. Um ciclista – notem isso: um ciclista! Teve ensejo de se referir à nossa participação na prova de resistência como “palhaçada brasileira”. Continua ainda: “Foi exatamente nessa prova que nos desclassificaram, depois de se haver maltratado a valer nossa turma, pois Cláudio e Alba, ajudados pelos companheiros vinham muito bem… (mas até motociclistas lhes cortavam a frente. Isso os jornais não contam, não comentam, não dizem. Entretanto os ciclistas sabem disso e comentam entre eles). “Depois do retorno, a recepção o carinho de todos e este abraço a Argentão, repetido a cada membro da equipe brasileira, apoteótica a volta dos heróis”! E aqui está, senhores o campeoníssimo Anésio Argentão batendo ao ex-maior Demichelli da Venezuela. Se vocês pudessem ver o que acontecia no seio da enorme assistência! Dizem que era de absoluta decepção cada semblante, da mais absoluta tristeza ao ponto de um silêncio de morte tomar conta do ambiente onde o entusiasmo ardia em chama viva segundos antes… Mas dali para a frente fomos considerados como devemos ser: líderes do ciclismo continental. Argentão, esse batutíssimo Anésio Argentão de Araraquara e que ficou sendo do coração do Brasil, no pedestal com todas as honras de estilo, por um feito que é a glória máxima continental em velocidade. Estupendo !
“CAIYB”
Quanto ao ciclismo, nossa cidade é berço desse esporte, com nomes como estes: Adolpho Féchio e Anésio Aregenton…, creio que Anésio Argenton merece muito mais do que ser nome de ciclovia, não? Merece sim, ser nome de um Estádio de Velódromo de Ciclismo, não é Edinho Silva? Edinho Silva, quando prefeito de Araraquara, chegou a pesquisar, o quanto custaria uma obra de tamanha envergadura. Parabéns, Edinho, por ter boa vontade! Cabe agora pedir ao nosso atual prefeito Marcelo Barbieri e aos deputados (Roberto Massafera, Dimas Ramalho e novamente ao Edinho Silva), tamanha honraria também ao povo! Eu sei que é difícil, mas para Deus não é impossível, e tratando-se de quem honrou nosso chão, nossas estradas; treinando muitas vezes em estradas poeirentas, sei que a honraria será justa. Levou e leva o nome de Araraquara para todos os rincões do esporte ciclístico, não? Obrigado vereador Fernando César Câmara, o “Gallo”, pela iniciativa de honrar nosso esporte ciclístico, com a proposta de uma semana em homenagem ao nosso ciclismo e a construção de ciclovias. Gallo, não pude ir a Câmara, mas sei que terás êxito em seu projeto. Enfim é isso caro leitor (a)! Nos deixou Anésio Argenton, a mola que propulsava nosso esporte ciclístico. Agora nesse momento talvez façam uma exposição no Museu do Esporte, que fica como todos sabem na Arena da Fonte Luminosa, e com alegria e motivação será muito visitada, pois o ciclismo faz parte de nossa história, não é araraquarense? Fique em paz, caro amigo Anésio Argenton, tenha certeza! O senhor cumpriu sua missão! Certamente um baita ideal de vida, e tem que ser Homem de Desejo para seguir seus “passos”.

